sexta-feira, 27 de março de 2009

Minha adolescência esquerdista e minha juventude madura.

Estava eu com meus 16 anos quando meu professor de Geografia, percebendo meu maior interesse pelas aulas enquanto meus colegas se ocupavam de produzir aviões de papel e de espiar a aula de Educação Física feminina pela janela, resolveu me contar sua história de vida. Ele havia lutado contra a ditadura em São Paulo, tendo sido levado uma vez ao DOI-Codi. Na ocasião ele possuia em seu bolso uma lista com nomes de afiliados do movimento em que participava e era chefe. Por sorte ele conseguiu comê-la durante o trajeto, tendo então se safado de uma possível tortura ou execução. Conversando com ele tive acesso ao primeiro livro sobre o tema política que li. Chama-se 1968: o ano que não terminou, de Zuenir Ventura. O livro trata de descrever o ambiente político, especialmente carioca, em 1968, provavelmente o pior ano da ditadura, sob o governo Costa e Silva. O livro também tratava de descrever a vida dos intelectuais esquerdistas, sobretudo as festas em apartamentos de luxo, regadas a whiskey e champagne, da chamada esquerda festiva. No momento em que o lia, sentia que aquela época devia ter sido fantástica, e sentia também uma certa perda por não ter vivido no período.

Desde então passei a me identificar com a esquerda em geral, concordando com quase todas as vertentes, mergulhando no pensamento esquerdista através de livros como As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, e o Manifesto Comunista, de Marx e Engels. Acreditava ainda que, como nas festas da esquerda festiva, o mundo todo poderia ser assim, um grande bar de luxo, onde as pessoas poderiam discutir de política, beber, e organizar a revolução proletária (eu ainda não havia me dado conta da flagrante contradição entre beber whiskey e champagne e lutar contra a exploração dos pobres).

Tudo começou a mudar quando comecei a cursar economia. O choque de realidade até veio rápido. Minha primeira impressão de que as coisas não eram exatamente como eu imaginava foi quando li Liberalismo, de Ludwig von Mises. Quando finalmente me tornei um liberal acho que estava no 3º ou 4º período, iluminado principalmente por Hayek e seu The Road to Serfdom.

Desde então passei a estudar mais e entendi o que realmente é ciência. Pois bem, a ciência é algo bastante assexuado, que lida o tempo todo com o ceticismo, e que é formada por um corpo teórico vasto, que é incrementado constantemente por estudiosos pernósticos, os quais não possuem nenhum desejo de entender de tudo e mudar tudo de uma só vez, e sim ajudar no avanço da mesma com pequenas contribuições. Inspirado por um post antigo da Torre de Marfim, diria que a ciência é um Pedro Malan. A imagem dessa ciência que eu descrevi realmente não é gloriosa, não é mesmo? Seria mais legal se ela fosse um bando de barbudos de porre compondo bossa-nova revolucionária. Infelizmente não é.

Por fim, gostaria de dizer que o futuro parece mais alentador que o passado. Nem tanto porque nossos jovens estão mais maduros, não. Mas porque essa nova geração está completamente desiludida com a política, e isso pode abrir espaço para que um corpo técnico de alta categoria passe a ter maior influência nos destinos do país, como aconteceu no governo FHC, com os intelectuais da PUC.

And back to the potatos...

Após muito tempo sem escrever (ANPEC, ANPEC, ANPEC...), eis que resolvo postar novamente. Confesso que pensei em parar, no entanto não me sinto plenamente satisfeito em expor minhas batatadas somente a meus amigos, que, provavelmente, já não aguentam mais meu papo. Portanto, escrever parece a melhor saída, já que vocês acessam essa porcaria porque querem.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cigarro tabelado, por quê????

Preocupado com o tabagismo, minha intenção neste post é opinar acerca da estrutura da cadeia de cigarros no Brasil. Boa parte da produção de tabaco no país, desde o plantio até o produto final, no “bolso do consumidor”, é controlado por duas grandes empresas. Refiro-me, obviamente, somente ao mercado oficial, excluindo o grande volume de cigarros falsificados comercializados em nosso território. Surge uma questão interessante a partir disto: por que o cigarro é tabelado?
Minha não tão ambiciosa opinião se baseia no tipo de estrutura da cadeia do cigarro. Até chegar ao varejo, ou mesmo na distribuição do produto final, toda a cadeia é controlada pelas duas grandes empresas (quem fuma sabe quais são). Mas, quando o produto chega ao varejo, o que percebemos é uma intensa competição (é claro)!!! Botequins, supermercados, padarias, bancas de jornal, entre outros, são estabelecimentos que comercializam tal produto. Cabe ressaltar que, a margem de contribuição do varejista por maço de cigarros é extremamente baixa (pesquisei um pouco e vi que é por volta dos 9% em média).
Portanto, o que aconteceria se não fosse tabelado:

i) Tendo em vista a alta competição, os preços dos maços tenderiam a cair (ainda mais), até um ponto em que já não compensaria mais ao varejista vende-lo, assim, a oferta de cigarros, iria diminuindo com o tempo;
ii) A demanda por cigarros pode ser considerada como inelástica ao preço, ou seja, a queda nos preços não estimula um aumento mais que proporcional de procura (só porque o maço ficou mais barato, não mudo meu consumo de um maço por dia pra dois, de uma hora pra outra), conclusão, vendas não muito maiores, com preços mais baixos = perda de dinheiro;
iii) Com a redução de varejistas oferecendo cigarros, e consequentemente com diminuição da competição, os preços voltam a subir, e, possivelmente, volta a compensar vender cigarros, gerando um ciclo de preços que oscilam hora pra cima, hora pra baixo;

Visando garantir ao varejista, uma margem de contribuição compensatória na venda de seus cigarros, e ainda, evitar oscilações na oferta (por parte do varejo), e mais, não perder dinheiro nos períodos de baixa nos preços, as grandes produtoras tabelam os preços dos maços de cigarros. As produtoras o fazem, porque controlam boa parte da cadeia, ou mesmo toda ela, é o que se chama de “supply chain managemen”. Assim, determinam o funcionamento e a postura das firmas que estão de alguma forma entrelaçadas com a produção, beneficiamento, distribuição e comercialização de cigarros.
Outros produtos também tabelados podem ser analisados da mesma forma, ou seja, são tabelados por motivos muito parecidos com os explicitados acima, como: sorvetes, jornais, revistas, entre outros.
Possivelmente outros fatores também contribuem para que produtos como estes sejam “dignos” de tabelamento, como os custos de modificação dos preços (algo parecido com o chamado “custo de menu”), ou problemas atrelados à tributação, ou mesmo imposições legais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Será que ele chuta o balde?

Quem é ele? Larry Summers. Pra quem não conhece, Summers foi reitor de Harvard e secretário do Tesouro do Governo de Bill Clinton. Ótimo economista, respeitadíssimo na academia e na política, já foi alvo de elogios até mesmo de Alan Greenspan, mesmo sendo democrata. Atualmente integra a brilhante equipe econômica de Obama. Por que ele chutaria o balde?

Primeiros dias de governo e Obama lança uma medida de governo que considera muito importante (eu estava num bar comendo um peixinho e ouvindo ao Jornal Nacional): Se não me engano, uma lei, destinada a eliminar as disparidades salariais entre homens e mulheres. Não sei o que Summers achou, mas deve ter sido esquisito pra ele. Ele foi demitido do posto de reitor de Harvard justamente por defender em público a ideia (agora sem acento, argh) de que as desigualdades salariais entre homens e mulheres são devido a diferenças de produtividade.

Passam alguns dias e Obama diz que a sindicalização é uma saída para a crise. Summers acha que não. Segundo ele, o enrijecimento do mercado de trabalho só traria mais desemprego.

Coitado do Larry. A equipe pode ser parecida com a do governo Clinton, mas Obama, pelo jeito, é muito diferente. Se continuar assim, acho que o Summers chuta o balde.

P.S.: Perdoem-me por não estar postando muito. Problemas na conexão aqui em casa.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Brasil maduro, mas “credor”?????

Com a crise internacional, alguns fatos podem ser melhor observados, principalmente na Economia. Algumas décadas atrás, o país sofria com graves problemas no âmbito econômico, e, um deles, era sua dívida externa. Sem delongas com o acontecimento histórico, minha intenção neste post é refletir sobre: em qual categoria o Brasil se encaixa no que se refere a este tipo de dívida atualmente.
A meu ver, o país se enquadra bem como “devedor maduro”, e também como “credor jovem”, oscilando ora num, ora noutro.
A característica principal e comum, aos dois tipos de perfil é que tanto em um, quanto no outro, o que se cria, em termos de produção no país, é maior do que nossa capacidade de absorção, ou seja, as exportações de bens e serviços (não relacionados à remuneração de fatores de produção) são maiores que as importações, ou seja, um “hiato” de recursos positivo. Isto implica em entrada de recursos para nosso país, em termos de moedas estrangeira, enfim, entrada de dólares, o que amplia nossas reservas.
A diferença começa quando se analisa o seguinte ponto: esta entrada de recursos está amortizando nossa dívida já contraída, ou, ampliando nossos ativos, ou seja, o que recebemos agora é maior ou menor do que o montante de renda líquida enviada ao exterior que devemos.
Minha concepção de que o Brasil com a crise tende a se tornar, ou ainda, melhorar sua posição de credor (jovem) é que: com a queda das taxas de juros internacionais, motivada pela queda nas taxas de juros americanas (entre outros motivos), e, ainda mais, com desvalorização cambial, a tendência, é de que nossas exportações cresçam, ou seja, que a taxa de ampliação das exportações supere as taxas de juros internacionais (LIBOR + x (spread)). Mesmo que nosso “hiato” de recursos esteja em queda (o que, neste caso, é favorável) ainda estamos transferindo recursos líquidos ao exterior, que, no futuro, deverão voltar ao país, visando financiar o futuro hiato negativo que possivelmente teremos, caso amadureçamos ainda mais.
A questão a se frisar é que nosso passivo segue há algum tempo, uma trajetória declinante, ou seja, que estamos: ou diminuindo nossa absorção de recursos do mundo, ou, acumulando em pequeno nível recursos a serem absorvidos pelo mundo, que é o mesmo que dizer que estamos acumulando ativos externos líquidos.
É claro que outros fatores influenciam na trajetória de entrada ou saída de recursos no Brasil, ou seja, o investidor estrangeiro leva em consideração outros fatores (como estabilidade política e econômica, o potencial de crescimento da produção e de suas exportações, qualidade da administração pública, entre outros fatores qualitativos) na sua decisão de investimento, mas, no que condiz ao aspecto quantitativo, os sinais são razoáveis.
O que não seria favorável ao Brasil, seria uma inversão abrupta das taxas de juros internacionais, em relação à taxa de expansão de nossas exportações, fato esse batido na história do mundo, notadamente no México, que modificou severamente sua posição de devedor.
Cabe ainda ressaltar, que estas posições, tanto de devedor maduro, quanto de credor jovem, são positivas. Como devedores maduros, o mundo nos enxerga com confiança, e demonstramos que somos um bom investimento. Como credores jovens, assumimos posição privilegiada de financiadores do mundo, o que nos garante inúmeras novas oportunidades no futuro.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Instituto de Piadas Econômicas Aplicadas

Uma questão da prova do IPEA:

Verdadeiro ou Falso?

"A especulação financeira vislumbra como luz no fim do túnel o brilho do tesouro nacional."

Genial. Por hoje é só pessoal. Fui tomar sorvete com a testa!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Para rir um pouquinho.

Compre agora seu Kit Left Revolution.

P.S.: Linkado do blog Coturno Noturno. Observem a contagem regressiva para o fim do mandato de Lula.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Calem a boca, porra!!!

"Os países desenvolvidos estão abaixando os juros para enfrentar a crise, enquanto o BC faz exatamente o contrário. Como pode somente o Brasil estar certo e o resto do mundo errado? Está na hora de mudar o presidente do BC." Essa frase foi dita por ninguém, mas sintetiza as falas de muitos.

Versão para desenhar: Se a maioria dos times brasileiros contratam um atacante, então o Flamengo está errado em contratar um defensor?

Versão para ligar os pontos: O simples fato de alguém - ou muitos - fazer algo, significa que você deve fazer também? Ou será que você deve analisar a sua situação e procurar o que é consistente com os seus objetivos?

Versão para colorir: IS-LM / AS-AD.
Mundo desenvolvido:Uma contração do crédito contrai a curva LM, contraindo também a curva AD. Se deixar ocorrer a contração, a economia entra em recessão, com subida das taxas de juros e deflação. Com o passar do tempo a economia se recupera, retornando ao nível original. Se a opção do Banco Central do país desenvolvido for uma política de estabilização ativa, então a melhor saída é cortar juros e gastar, para que a economia retorne mais rapidamente para o nível original.
Brasil: Não há contração do crédito, portanto não há colapso da demanda. A economia JÁ está em equilíbrio. Se o banqueiro central cortar juros temos uma expansão da curva LM e uma expansão da curva AD. A economia superaquece e atinge um nível maior de produto combinado com aumento no nível de preços. Com o tempo a economia retorna ao seu patamar de origem.
Resumo da ópera: Cortar juros só faz sentido para países que enfrentam uma queda da demanda, o que não é o caso do Brasil, que está com a demanda crescendo ACIMA da oferta, por isso os recentes aumentos de juros.

Mankiw e Blanchard. Se você não está disposto a ler: Cale a boca, porra!!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

American elucubration!

"Life is a problem of maximization with constraints" William Zambucket.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Projeto PUC-Rio 2010

Não esperem muitas postagens dos autores do blog, pois estamos ralando nessa nossa empreitada rumo a um mestrado de respeito.

Conseguirão Daniel Reis e Guilherme Zambalde atingirem seus objetivos? A conferir.

P.S.: Estuda que a parada é feia mermão!!!

Laboratório econômico. A virtude da crise.

Diferentemente de profissionais de outros ramos do conhecimento, economistas não podem criar experimentos, pelo óbvio motivo de que brincar com a economia real pode ter efeitos catastróficos. Nosso conhecimento é todo gerado à partir da observação do que está acontecendo ou aconteceu no mundo real. Dessa forma, podemos tirar bastante proveito dessa crise e estudar as características das (grandes?) recessões.

Um tema que será bem discutido durante essa crise é a já tão discutida eficácia das políticas monetária e fiscal em tempos de crise. Friedman e Schwartz, em seu A Monetery History of The United States, argumentaram que a depressão dos anos 30 poderia ter sido evitada pelo Fed se este não tivesse deixado cair a base monetária, expandindo-a rapidamente. Diferentemente, Keynes destacava a política fiscal como a melhor arma para combater a recessão.

Em seu blog, Krugman nos mostra dois gráficos:


Esse gráfico mostra o crescimento da base monetária durante os anos da grande depressão. É difícil dizer que a depressão tenha sido causada pelo Fed, já que durante tais anos (área sombreada no gráfico) a base monetária se manteve relativamente estável, apresentando até uma tendência de alta. Durante tal período a política fiscal foi ativa, de modo que pode ter tido grande importância na recuperação. Este debate é antigo na economia, e permanece a falta de consenso até hoje. Observe este outro gráfico:


Esse gráfico mostra o comportamento da base monetária nos dias de hoje. O Fed desta vez abaixou a taxa de juros americana agressivamente. Nas palavras de Krugman: "(...) e adivinhem? Não parece estar funcionando." Segundo ele, parece que a política monetária é realmente pouco efetiva em tempos de crise. Acredito que talvez seja um pouco cedo demais para uma conclusão definitiva, afinal existem os lags da política monetária e os efeitos ainda não foram sentidos.

Se Krugman estiver certo, então é hora de ler (reler) A Teoria Geral.

P.S.: Gráficos retirados do blog de Paul Krugman.


domingo, 23 de novembro de 2008

Mimar ou Educar?

Nas últimas semanas, empresas como a General Motors, Ford e Chrysler alegaram que necessitam de auxílio financeiro com a alegação de que a crise atual está punindo severamente seus passivos. Isto faz parecer que estas empresas, vítimas de uma catástrofe econômica, que por infelicidade do destino foram colocadas numa situação de extrema falta de recursos, e que, realmente precisam de amparo do Governo Americano.
Isso me faz refletir em como os seus dirigentes são desafortunados, e que outras empresas do ramo foram venturosas em seus negócios, entre os quais, o fardo da crise não recaiu sobre seus ombros. Ademais, como permitir que gigantescas corporações como as citadas sejam solapadas pelo processo de “seleção natural” do sistema econômico? (A resposta é esta mesma: “Seleção Natural”)
A crise coloca em cheque quais empresas se prepararam e estabeleceram uma conduta responsável e competente ao longo do tempo, que buscaram boas oportunidades de negócios, de maneira saudável e sustentável, sem se deixar cair em tentações nas épocas de prosperidade. O desenvolvimento do comércio internacional acentuou estas regras de competitividade, e aquelas empresas que não buscam adequar-se aos rumos do mercado, inevitavelmente irão “cair”, de uma forma ou outra. Este processo pode ser atenuado, ou mesmo atrasado por constantes pedidos de “socorro” ao Estado, mas o final da história será o mesmo, caso as regras do jogo de comércio internacional sejam mantidas como devem ser.
Como é bem sabido, economias abertas ganham inúmeras possibilidades de negócios, suas empresas podem vislumbrar um significativo aumento de demanda potencial, bem como de se atualizarem, pois quando sujeitas a padrões de qualidade internacional maiores que as encontradas em seu país de origem podem se adequar e abocanhar mercados no exterior, e mais, destruir a concorrência nacional. Mas o comércio internacional tem seus efeitos colaterais. Quando estas empresas, agora sujeitas a regras novas, não conseguem acompanhar as constantes evoluções do sistema, tendem ao declínio, e devem ruir, visando “abrir espaço pra quem vem atrás” (sem trocadilho). As sobreviventes, notórias pela capacidade de adequação, abocanharão o vácuo de demanda deixado pela empresas “ex-concorrentes” e darão início a um novo ciclo de competitividade.
O que quero dizer, é que empresas como a GM não conseguiram se adequar e se manter competitivas. Suas concorrentes asiáticas, arrojadas, inovativas em seus processos de produção, de produto, entre outras qualidades, conseguiram pouco a pouco lograr um fatia de mercado muito satisfatória no setor automobilístico americano, fato este impensável à poucas décadas atrás. Mérito delas!
Agora, é preciso refletir sobre problema: o contribuinte financiador do estado, que nada tem haver com os problemas de uma organização, que se mostrou, de certa forma incompetente em manter seus custos baixos, deve ver seus impostos pagos transformados em auxílio financeiro?A mesma região dos Estados Unidos é sede da GM, Ford e Chrysler, e que portanto, comportam trabalhadores especializados no setor automobilístico, além de inúmeras outras características descritas por economistas que remontam até mesmo em Marshall. Esta região é, portanto, uma das melhores regiões para se montar uma empresa do ramo, mas também produzem efeitos colaterais. Essa massa de trabalhadores quando se junta e se organiza em sindicatos o fazem para, se proteger contra a exploração dos empresários capitalistas que somente desejam explorar sua mão-de-obra (bobagem!! Empresários querem ganhar dinheiro). Os sindicatos se formam sim, para garantir os direitos trabalhistas de seus sindicalizados, mas principalmente, se formam para abocanhar maiores salários, quando isso é possível. Assim sendo, nas épocas de prosperidade deste setor nas décadas de 80 e 90 especificamente, os sindicatos exerceram forte poder de barganha frente às empresas, e elevaram seus salários o quanto possível. Conclusão, agora, estas empresas se vêem com altos custos em termos de salário, relativamente aos seus concorrentes asiáticos, perdendo competitividade no mercado, e como de praxe não irão permitir qualquer tipo de negociação de flexibilização salarial para baixo. Refaço a pergunta: o contribuinte deve aceitar que sua renda, apropriada pelo Estado, que a priori deveria ser destinada à educação, saúde, infra-estrutura (tudo menos mimar empresas) seja utilizada de forma a sustentar operários com salários acima dos de mercado? Isso é justiça social?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Erro das Baixas Taxas de Juros

A crise financeira mundial, do subprime, começa quando os EUA reduzem suas taxas de juros, objetivando expandir os investimentos e promover o crescimento economico, visando fazer frente aos ataques terroristas, ou qualquer outro motivo que se fez necessário naquele momento. No entanto, esta medida produziu seus efeitos colaterais. Suponhamos uma economia hipotética, na qual o setor imobiliário se defronta com 100 clientes de risco baixo e 100 clientes de alto risco. Com queda nas taxas de juros americana o setor imobiliário se viu numa posição de ter de ampliar a gama de empréstimos concedidos. Anteriormente, o sistema emprestava somente aos 100 "bons" clientes. Após a queda nas taxas, a gama de empréstimos teve de ser ampliada, e, sendo assim, o sistema imobiliário teve de abarcar os 100 clientes "podres", visando manter o mesmo patamar de receitas ou mesmo lucros.
Paralelamente, sabe-se que o sistema financeiro americano, ou mais especificamente o bancário, é altamente concorrido, com um número de instituições elevado, produzindo um spread bancário baixo como pode-se ver. Os bancos, portanto, são descapitalizados, obrigados a utilizar recursos de terceiros para gerir os extraordinários ativos que administram.
O que ocorreu foi que os "recursos de terceiros" estavam disponíveis em abundância no setor imobiliário, portanto, baratos. Os papéis hipotecários passaram a servir de garantia no setor financeiro, e foram disseminados no sistema. Quando os EUA, num segundo momento, elevaram suas taxas de juros, seus clientes "podres" se viram incapazes de saldar suas dívidas, começando o processo de quebradeira de instituições imobiliárias, passando, por conseguinte, ao sistema financeiro, representado pelos bancos comerciais, e, a partir daí, ao setor real da economia. A crise de liquidez tomou proporções mundiais, devido as inúmeras inteligações das mais variadas naturezas com instituições do mundo inteiro. Agora é esperar os efeitos das varias medidas dos Bancos Centrais para ver no que vai dar!!!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama mania!

Não tenho nada contra o partido democrata! Na verdade, até onde conheço, gostei muito da administração Clinton. No entanto, não há nada mais ridículo do que essa febre mundial de Obama. A febre americana só não é tão ridícula quanto a mundial porque o país ainda é o último reduto das pessoas sensatas, muitas das quais ainda resistem bravamente à maioria obamista. No caso brasileiro, por exemplo, está difícil de achar uma única alma que seja contra o Obama. Por aqui ele é visto como o representante da paz mundial, do papel do governo na economia, o mais capaz de salvar os EUA da crise, o símbolo da queda do racismo, possibilidade de ganhos para o Brasil. O quanto disso é verdade e o quanto é mentira?
Paz Mundial:
Bobagem! Como disse Reinaldo Azevedo: "É de Obama a declaração mais belicosa da campanha". Obama disse que se tiver que invadir o Paquistão em busca de terroristas, fará isso mesmo que não tenha o apoio do governo do país. Deixa eu dizer uma coisa: Parem de achar que o mundo vai ser uma maravilha se os EUA não se meterem a fazer guerra. O mundo vai piorar 100% se terroristas ou ditadores desenvolverem armamentos nucleares. A idéia de que o Bush ou outros presidentes americanos são culpados por não haver paz é uma asneira gigantesca. Simplesmente não dá pra ignorar o fato de que existe muito ódio contra os EUA. Se deixar esse ódio explodir em forma de bomba, podem esquecer a tão desejada paz mundial.

Papel do Governo na Economia:

De fato, como indica o fato de Obama ser democrata, haverá uma guinada para a social-democracia. O que melhor deve representar essa guinada é a tentativa de tornar os serviços de saúde universal. Porém, como qualquer governo de esquerda moderada no mundo, a única coisa que deve mudar mesmo são os impostos, nada de burocratização do sistema.

A Crise:

Esse é o ponto mais besta de todos. Duvido que haja diferenças significativas entre democratas e republicanos no que diz respeito a como resolver a crise. O pessoal da supply-side economics, que quer deixar o sistema quebrar, não parece ser ouvido pelo partido republicano, tanto que Bush correu atrás e conseguiu aprovar o pacote de salvamento do sistema bancário.

Símbolo contra o racismo:

As pessoas teimam com esse negócio de racismo. Os EUA mudaram, tanto que Obama foi eleito. Pode até existir ainda uma certa antipatia entre negros e brancos, afinal são culturas diferentes. Isso de que é legal o Obama ser eleito por ser um símbolo contra a discriminação é outra bobagem, afinal ele vai guiar o país com a cabeça, não com a cor de pele.

O Brasil com Obama:

Pior. Democratas são protecionistas. Podem esquecer a rodada Doha.

Para terminar, mais uma frase de Reinaldo Azevedo: "Só sei que vou me frustrar menos com o Obama, do que seus próprios eleitores". Também acho isso.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O sequestro, o PIB e a incompetência

Qual a ligação entre Eloá e o PIB? Desastres como esse fazem parte do pacote do subdesenvolvimento. O país pobre não tem dinheiro para contratar bons policiais nem para treiná-los. Daí as trapalhadas dos tiras em Santo André.

O Fantástico desse domingo exibiu uma reportagem em que um policial de um grupo de elite comentava a ação da polícia no sequestro. Simplesmente lamentável. Foi feio ver as imagens da ação da polícia. Falta de coordenação na hora da invasão, com os policiais entrando todos pela frente do apartamento. Excesso de explosivos para explodir a porta. Cinco dias de negociação. O retorno da amiga de Eloá. Lindenberg dando sopa na janela. O batalhão de policiais correndo atrás do mal-amado, com dificuldades para algemá-lo, enquanto a SWAT consegue dominar um sujeito e algemá-lo em 1 segundo utilizando 4 policiais.

Agora, o que mais me irritou foi a declaração do comandante da operação, dizendo que a polícia não matou o sequestrador enquanto pôde por se tratar de um jovem sem antecedentes criminais e que estava tomado pela loucura. Vamos supor que alguém sem antecedentes criminais e tomado pela loucura ameace te dar um soco, o que você faz? (1) espera pra ver o que acontece ou; (2) soca-o antes. Em qualquer país decente a polícia teria enfiado uma bala na cabeça do maluco, e ninguém acharia que o desfecho foi injusto ou trágico demais.